domingo, 20 de maio de 2018

poesia viva poesia




Poesia Viva Poesia
Livro: "Juras secretas", poesia. Autor: Artur Gomes.


Lançamento - 10 de junho - 20h
com a performance Poesia Viva Poesia
Museu Nacional de Brasília -
Festival Transepoéticas

Jura secreta 14

eu te desejo flores lírios brancos
margaridas girassóis rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema
eu te desejo emblema 
deste poema desvairado
com teu cheiro teu perfume
teu sabor teu suor tua doçura
e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos
eu te desejo e posso
:
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura


Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
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quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

jura secreta 38



Jura Secreta 38
travessia

de Almada vou de atravessar o Tejo 
barco à vela Portugal afora 
em Lisboa vou compor um fado 
e cantar no Porto feito um blues 
rasgado de amor pela senhora 
que me espera em paz 

e todo vinho que eu beber agora 
será como beijo que eu guardei inteiro 
como um marinheiro que retorna ao cais 


Artur Gomes

jura secreta 37



Jura Secreta 37
baby é cadelinha 

devemos não ter pressa 
a lâmina acesa sob o esterco de Vênus 
onde me perco mais me encontro menos 

de tudo o que não sei 
só fere mais quem menos sabe 
sabre de mim baioneta estética 
cortando os versos do teu descalabro 

visto uma vaca triste como a tua cara 
estrela cão gatilho morro: 
a poesia é o salto de um vara 

disse-me uma vez só quem não me disse 
ferve o olho do tigre enquanto plasma 
letal a veia no líquido do além 
cavalo máquina meu coração quando engatilho 

devemos não ter pressa 
a lâmina acesa sob os demônios de Eros 
onde minto mais porque não veros 

fisto uma festa mais que tua vera 
cadela pão meu filho forro: 
a poesia é o auto de uma fera 

devemos não ter pressa 
a lâmina acesa sob os panos quem incesta ? 
perfume o odor final do melodrama 

sobras de mim papel e resma 
impressão letal dos meus dedos imprensados 
misto uma merda amais que tua garra 
panela estrada grão socorro: 
a poesia é o fausto de uma farra 


 Artur Gomes





jura secreta 36




Jura Secreta 36
 cardio.grafia da pele

que esta palavra bendita 
nãos seja dor quando mal dita 
como espinha quando aflora 
ou espora enquanto irrita 

minha cardio.grafia em suma 
não é pena nem pluma 
apenas palavra que resuma 
o silêncio como agora 
ou sonora enquanto grita 

Artur Gomes

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

jura secreta 35



Jura Secreta 35
 pontal.foto.grafia 

Aqui, 
redes em pânico pescam 
esqueletos no mar 
- esquadras - descobrimento 
espinhas de peixe convento - 
cabrálias esperas relento - 
escamas secas no prato 
e um cheiro podre no 
AR 

caranguejos explodem
mangues em pólvora 
Ovo de Colombo quebrado 
areia branca inferno livre 
Rimbaud - África virgem 
carne na cruz dos escombros 
trapos balançam varais 
telhados bóiam nas ondas 
tijolos afundando náufragos 
último suspiro da bomba 
na boca incerta da barra 
esgoto fétido do mundo 
grafando lentes na marra 
imagens daqui saqueadas 

Jerusalém pagã visitada 
- Atafona.Pontal.Grussaí - 
as crianças são testemunhas: 
Jesus Cristo não passou por aqui 

Miles Davis fisgou na agulha 
Oscar no foco de palha 
cobra de vidro sangue na fagulha 
carne de peixe maracangalha 
que mar eu bebo na telha 
que a minha língua não tralha? 

penúltima dose de pólvora 
palmeira subindo a maralha 
punhal trincheira na trilha 
cortando o pano a navalha 

- fatal daqui Pernambuco 
Atafona.Pontal. Grussaí - 
as crianças são testemunhas : 
Mallarmé passou por aqui. 

bebo teu fato em fogo 
punhal na ova do bar 
palhoças ao sol fevereiro 
aluga-se teu brejo no mar 
o preço nem Deus nem sabre 
sementes de bagre no porto 
a porca no sujo quintal 
plástico de lixo nos mangues 
que mar eu bebo afinal? 


Artur Gomes







jura secreta 34



Jura secreta 34 

por que te amo 
e amor não tem pele
nome ou sobrenome 

não adianta chamar 
que ele não vem quando se quer 
porque tem seus próprios códigos
e segredos 

mas não tenha medo 
pode sangrar pode doer 
e ferir fundo 
mas é razão de estar no mundo 

nem que seja por segundo 
por um beijo mesmo breve 
por que te amo 
no sol no sal no mar na neve 




Artur Gomes

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

jura secreta 33



Jura Secreta 33
o sangue de Cristo na matéria pouca
o poema pode ser
um beijo em tua boca 
carne de maçã em maio 
um tiro oculto sob o céu aberto 
estrelas de néon em Vênus 
refletindo pregos no meu peito em cruz 

na Paulista Consolação 
na Água Branca Barra Funda 
metal de prata desta lua que me inunda 
num beijo sujo com uma Estação da Luz 

nos vídeos.filmes de TV 
eu quero um clipe nos teus seios quentes 
uma cilada em tuas coxas japa 
como uma flecha em tuas costas índia 
ninja gueixa eu quero a rota teu país ou mapa 

teu território devastar inteiro 
como uma vela ao mar de fevereiro 
molhar teu cio e me esquecer na Lapa 

 Artur Gomes





jura secreta 32



Jura Secreta 32 

fosse apenas o que já foi dito 
escrito falado pensado 
não fosse tudo o que já foi maldito 
e nada do que nunca foi sagrado 

falo em tua boca enquanto em transe 
um anjo me ilumina tanto 
que mesmo mudo em tua língua canto 

como um diabo que subindo aos céus 
tentou muito mais de uma vez 
quem sabe Gregório ou quem sabe Castro 
descendo aos infernos como sempre fez 

talvez Camões no corpo de um astro 
me lance a infinita chama da pornô Gráfica lucidez 

Artur Gomes




jura secreta 31




Jura Secreta 31 

de Dante a Chico Buarque 
todos os poetas 
já cantaram suas musas 

Beatriz são muitas 
Beatriz são quantas 
Beatriz são todas 
Beatriz são tantas 

algumas delas na certa 
também já foram cantadas 
por este poeta insano e torto 
pra lhes trazer o desconforto 
do amor quando bandido 

Beatriz são nomes 
mas este de quem vos falo 
não revelo o sobrenome 

está no filme sagrado 
na pele do acetato 
na memória do retrato 
Beatriz no último ato 
da Divina Comédia Humana 
quando deita em minha cama 
e come do fruto proibido 


 Artur Gomes




jura secreta 30



Jura secreta 30

afora em mim grafitemas 
nenhuma figuralidade 
frutas legumes verduras 

quem cala a fala consente 
houve um tempo que a dita/dura 
calou a fala da gente 

grafito em tua carne de pedra 
medusa de sete patas 
poema de sete cabeças 

miragens do amor que enlouqueça 
apóstolos na santa ceia 
Miró brincando de circo 
com os olhos na lua cheia 


Artur Gomes

jura secreta 29



Jura secreta 29
 esfinge 

o amor 
não é apenas um nome 
que anda por sobre a pele 
um dia falo letra por letra 
no outro calo fome por fome 
é que a pele do teu nome 
consome a flor da minha pele 

cravado espinho na chaga 
como marca cicatriz 
eu sou ator ela esfinge: 
Clarice/Beatriz: 

assim vivemos cantando 
fingindo que somos decentes 
para esconder o sagrado 
em nossos profanos segredos 
se um dia falta coragem 
a noite sobra do medo 

é que na sombra da tatuagem 
sinal enfim permanente 
ficou pregando uma peça 
em nosso passado presente 

o nome tem seus mistérios que 
se escondem sob panos 
o sol é claro quando não chove 
o sal é bom quando de leve 
para adoçar desenganos 
na língua na boca na neve 

o mar que vai e vem não tem volta 
o amor é a coisa mais torta 
que mora lá dentro de mim 
teu céu da boca é a porta 
onde o poema não tem fim 


 Artur Gomes





jura secreta 28




Jura secreta 28 

eu sei de gente e de bichos
ambos atolados no lixo

 tem gente que come bicho
 tem bicho que come gente

tem gente que vive no lixo
 tem lixo que mora no bicho

 gente que sabe que é bicho
e bicho que pensa ser gente

Artur Gomes

jura secreta 27



Jura secreta 27
 rio em pele feminina 

o rio com seus mistérios 
molha meu cio em silêncio 

desejo o que nos separa 
a boca em quantos minutos 

as flores soltas na fala 
o pó dos ossos dos anos 

você me diz não ter pressa 
seus olhos fogo na sala 

o beijo um lance de dados 
cuidado cuidado cuidado 

que sou um anjo de fadas 
não beije assim meus segredos 

meus olhos faróis nos riachos 
meus braços dois afluentes 
pedaços do corpo do rio 
meus seios ilhas caladas 
das chamas não conhece o pavio 

se você me traz para o cio 
assim que o sexo aflora 
esta palavra apavora 

o beijo dado mais cedo 
quebra meu ser no espelho 

meu cerne é carne de vidro 
na profissão dos enredos 
quanto mais água me sinto 
presa ao lençol dos seus dedos 

o rio retrata meu centro 
na solidão de mim mesma 
segundo a segundo nas águas 

lá onde o sol é vazante 
lá onde a lua é enchente 
lá onde o rio é estrada 

onde coloca seus versos 
me encontro peixe e mais nada 


Artur Gomes

jura secreta 26



Jura secreta 26 

eu sou Drummundo 
e me confundo na matéria amorosa 
posso estar na fina flor da juventude 
ou atitude de uma rima primorosa 

e até na pele/pedra
 quando me invoco 
e me desbundo baratino 
e então provoco
um barafundo Cabralino 

e meto letra no meu verso 
estando prosa 
e vou pro fundo 
do mais fundo 
o mais profundo 
mineral Guimarães Rosa 

Artur Gomes

jura secreta 25



Jura secreta 25 
Mar de Búzios

vasa sob meus pés um Rio das Ostras 
as minhas mãos em conchas 
passeiam o mangue dos teus seios 
e provocam o fluxo do teu sangue 

os caranguejos olham admirados 
a volúpia dos teus cios 
quando me entregas o que traz 
por entre as praias 
e permites desatar 
todos os nós do teu umbigo 

transbordando mar de búzios 
oceanos - Atlântico pulsar entre dois corpos 
que se descobrem peixes - 
e mergulham profundezas 

qualquer que seja a hora 
em que se beijam num pontal 
em comunhão total com a natureza 

Artur Gomes

jura secreta 24



Jura secreta 24 

Cezane não pintava flores 
montado em seu cavalo alado 
despeja cores 
no corpo da mulher amada 

com os pincéis 
encravados entre as coxas 
transformou Hollandas 
em quintais de vento 

reINventou o tempo 
na hora de pintar 

Artur Gomes

jura secreta 23



Jura secreta 23 
a lavra da pa/lavra quero

a lavra da palavra quero 
quando for pluma 
mesmo sendo espora 

felicidade uma palavra 
onde a lavra explora 
se é saudade dói mas não demora 
e sendo fauna linda como a Flora 
lua Luanda vem não vá embora 

se for poema fogo do desejo 
quando for beijo que seja como agora 

a lavra da palavra quero 
seja pele pluma
onde Mayara bruma 
já me diz espero 

saliva na palavra espuma 
onde tua lavra é uma 
elétrica pulsação de Eros 

a dança do teu corpo vero 
onde tu alma luna 
e o meu corpo empluma 
valsa por Laguna em beijos e boleros 


Artur Gomes

jura secreta 22




Jura secreta 22 
entre/dentes3

olhei para cara do tempo 
ela estava fechada
não me dizia nada 

pensei as SagaraNAgens 
que o tempo fazia comigo 

peguei do tempo o umbigo 
cortei na ponta da faca 
e a tua cara de vaca 
sangrei sem nenhum remorso 
porque isso o tempo não tem 

agora o tempo sorri 
me mostra os dentes da boca 
e a tua cara de louca 
é a minha cara também 

Artur Gomes

jura secreta 21



Jura secreta 21 

Ana quando a vida não for sacana 
a gente engendra a Sagarana 
e inventra a SagaraNAgem 

não te preocupes Luisa 
com o elo dessa engrenagem 
com a direção do vento norte 

ou se vem do sul esta brisa 
se embaixo em tua camisa 
palpitam dois  seios fortes

que minhas mãos roçam em cheio 
nas cenas que  escrevi
e transcrevi  por e-mails 

os sonhos que prometeu 
mas que agora não são teus 
eles ficaram por aqui 

Artur Gomes