quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

jura secreta 127

me apaixonei por silvinha
a sombra das jabuticabeiras
não eram árvores de vinhas
numa noite em jardinópolis
latia o coração da metrópolis
na cidade dos cemitérios
pergunto qual os mistérios
e o sexo que o anjo tinha
pra me cumer daquela forma
uva na boca silvinha



jura secreta 126

as orquídeas ainda são azuis
girassóis relâmpagos na chuva
na surpresa dentro a tempestade
dessa manhã que finda
pimenta tua boca em chamas
incendeia meus lençóis profana
essa linguagem como arco-íris
como se fosse pulsação que arde
nas entranhas dessa luz de fogo
nos meus dentes mastigando a tarde


meta metáfora no poema meta

como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentitdo que o poema é prece


miragens e metáforas –

a minha língua de fogo
persegue tua língua na fala.
não sei me calar na cozinha
no quarto corredor ou na sala

a minha línguagem de luas
é o que na língua resvala
se tenhos os pés calejados
se tenho as mãos inda tontas

e a língua bêbada de noites
dos dias que que miragens não vi
minutos que metáforas se calam
são como favelas vazias
e os olhos perdidos na vala

no líquido que vem das veias
a minha língua se farta
e bebe o teu como a.água
como se chupa uma bala


As flores do bem-me-quer

gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire

tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela

percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver


com quantas metáforas se faz uma miragem


ainda que fosse viagem
de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse
e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja
mesmo assim a vida seja
entre o que os pêlos lateja
o que a tua boca não fala
o que a tua língua não prova
e a prova das dezessete
te levasse mais cedo
inda assim não tenha medo
a palavra entre meus dedos
é o que ainda não disse
miragem essa coisa nova
agora revisitada
naquela hora marcada
do encontro que não tivemos


mesmo que não permitas
que eu toque os lençóis da tua cama
ou desfaça este nó dos teus desvelos
mesmo que a astronomia
te leve a romper os astros
na miragem dos teus olhos
e eu nunca saiba exatamente
a cor dos teus cabelos
mesmo que a meta-física
salte da tela do cinema
e as algebras da tua física
te leve de mim embora
quero que este poema
no centro dos teus sentidos
fale nos teus ouvidos
do ser que me encontro agora

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/



Alcinéia Marcucci disse...
Que os bons ventos tragam sempre para abanar nossos cabelos e refrescar nossa sede esta "pulsação de luz de fogo" despindo os extintos artísticos do gelo cotidiano.
Tenha um lindo 2011!
Abraço

Um comentário:

  1. Que os bons ventos tragam sempre para abanar nossos cabelos e refrescar nossa sede esta "pulsação de luz de fogo" despindo os extintos artísticos do gelo cotidiano.
    Tenha um lindo 2011!
    Abraço

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