quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

depois da chuva



folhas podem ser facas
pétalas podem ser pedras
cavalos são metáforas
na miragem do dia que não vejo
enquanto
alice dorme em sua cama ao lado
e o menino da vizinha
chora pelo pai que foi embora

artur gomes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

jura secreta 31

louise marrie - foto: Plural Build

te amo
e amor não tem nome
pele ou sobrenome
não adianta chamar
quando se quer
porque tem seus próprios códigos
e segredos
mas não tenha medo
pode doer pode sangrar
e ferir fundo
mas é razão de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo mesmo breve
porque te amo
na mar no sal no sol na neve




jura secreta 14

eu te desejo flores
lírios brancos margaridas
girassóis
rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro
teu perfume
teu sabor, teu suor
tua doçura

e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso
palavrarte até a morte
enquanto a vida nos procura


arturgomes

para louise marrie



a flor da tua pele
me provoca amor intenso

mas amor é outra coisa
contrária a tudo aquilo
que penso

amar-te
não pelo acaso
de encontrar-te
cabelos ao vento
onde me provoca arte
em tudo aquilo
que invento

arturgomes

sábado, 15 de outubro de 2011

jura secreta 27


o rio com seus mistérios
 molha meu cio em silêncio 
desejo o que nos separa 
a boca em quantos minutos 
as flores soltas na fala
 o pó dos ossos dos anos  

você me diz não ter pressa 
seus olhos fogo na sala 
 o beijo um lance de dados 
cuidado cuidado cuidado 
que sou um anjo de fadas 
não beije assim meus segredos 

meus olhos faróis nos riachos 
meus braços dois afluentes  
pedaços do corpo do rio 
meus seios ilhas caladas 
das chamas não conhece o pavio 

se você me traz para o cio 
assim que o sexo aflora
 esta palavra apavora 
o beijo dado mais cedo 
quebra meu ser no espelho 
meu cerne é carne de vidro 
na profissão dos enredos 
quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos 

o rio retrata meu centro
 na solidão de mim mesma
  segundo a segundo nas águas
lá onde o sol é vazante
 lá onde a lua é enchente 
lá onde o rio é estrada  
onde coloca seus versos
  me encontro peixe e mais nada 

arturgomes


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

o amor é cruel

may pasquetti a garota da da poesia
O amor é cruel


o risco


atravessar as portas
ultrapassar janelas
paredes muros cidades
o risco
de te matar
saudade
dentro da boca que quero
de penetrar garganta
laringe esôfago estômago
enquanto
dançamos bolero
sendo um tango
enquanto fado
arrisco
o beijo guardado
num copo de vinho
ou de menta
sabor de pimenta
e alho

e o doce mel da pimenta
enquanto a palavra
entra
pelos teus olhos e abras
teu cais do porto
fechado

arrisco
meus dedos e dados
nos lances mais atrevidos
dos nossos sextos sentidos
por tudo que foi esperado

artur gomes

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

flor da pele


a flor da tua pele
me provoca amor intenso

mas amor é outra coisa
contrária a tudo aquilo
que penso

amar-te
não pelo acaso
de encontrar-te
cabelos ao vento
onde me provoca arte
em tudo aquilo
que invento

por uma lua de água e sal
pelo sol o girassol
pela areia da praia
pela arraia
a vida dos peixes
a tartaruga
a vida pelas rugas
as brigas as intrigas
pelos filhos
pelas filhas
os trapos da mortalha
o carnaval
a carnavalha
pelas tralhas e trilhas
a faca de dois gumes
o fio da navalha

arturgomes

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

muito prazer meu nome é poesia

                                                   arturgomes-fotografia.blogspot.com

agora que as palavras escorrem entre meus dedos e provocam ainda mais teus medos foto grafo folhas semi-mortas e essa coisa torta que me corta feito faca deixo ferir deixo sangrar deixo matar o amor que por acaso me cortou sem saber o bem que me fez e quis fosse ao menos pelo prazer deste poema que agora fiz

arturgomes

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

cidade nua


andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

arturgomes

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

jura sercteta: uma outra


por você eu largo a farra
a cerveja a boemia
deixo os botecos da lapa
coloco até cara a tapa
por entre as ruas de bento
mando construir um convento
uma linda catedral
com pétalas de rosas brancas
para qualquer deus festejar
e eu   virgem de fato
contigo vou me casar
em um altar encantado
com estrelas de céu e mar
chegando as brumas da noite
sabendo ser lua cheia
na nossa casa da praia
eu viro boto rosado
e te engravido na areia


arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com

terça-feira, 26 de julho de 2011

jura secreta: uma outra


quero te ver linda e sexy
por todo mês de outubro
com flores da primavera
nascendo em teus cabelos
quero saber dos teus pêlos
e tudo mais que não sabia
se usa calcinha branca
ou usa somente de dia
se vai a missa aos domingos
e depois da feira o mercado
se gosta de street dance
ou prefere o samba rasgado

artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com

terça-feira, 12 de julho de 2011

Poema dois


 
a tarde morre
quando estou
de frente
ao cais 
quando estou
de frente
ao cais
a tarde não morre
a noite
faz



quando tenso
o poema penso
fio suspenso no

Ar

quando teso
o poema preso
peixe surpreso

no mar


artur gomes – entre/vistas

sábado, 21 de maio de 2011

alice melo monteiro gomes



cata vento
inverte o movimento
leve o pensamento
para o outro lado do litoral
despeja em mim o vento
transborda esse momento
no meu peito carnaval

em um útero que deixei sementes
nasceram filipe e flora
que me ensinaram a profissão de pai
de outro útero você veio agora
e me acorda sempre
antes do dia amanhecer

abençoada pelos deuses
 do mar e da chuva
alice era mais que um sonho
que a gente acreditava
que um dia ia nascer


segunda-feira, 28 de março de 2011

fruta farta






amoras no teu pêlo
quantas línguas
já provaram
mangas
na carne ancestral
da uva roxa
pra desbravar o sexo
no pomar
das tuas coxas

arturgomes

sexta-feira, 11 de março de 2011

jura secreta 132

avisto o mar amaralina
vejo o farol na praia
na areia vejo a menina
não é metáfora
ela tem a boca de nuvens
girassóis entre os joelhos
algas perto das coxas
estrela do mar nos cabelos
poema escrito no sexo
com letras de serpentina


a tatuagem nas costas
a flor da pele retina
é preciso não ter pressa
para entender o que eu digo
ela tem um jeito gal
um furacão no umbigo
a voz de mil oceanos
marés de outras marinas
ouriços presos na língua
de tudo que não se sabe
nada me satisfaz

o movimento dos barcos
o mar de fogo no cais

artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com/



poema bíblico

marina - presente dos deuses do amor e da chuva



do barro a carne
da costela adão
do teu corpo eva
todo trigo pão

fosse pimenta
fruta farta
felicidade
tua voz seria
sereia mar
marina maresia
fogueira acesa
no teu corpo santo
como farol
de lua
pra espantar
quebranto

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

eu sou o teu avesso






sou a filha da vaca
mas não troco minha mãe
por diva nenhuma

eu sou a neta da puta
mas estou com a minha avó
em carne e unha

eu sou o teu avesso
a língua da morte
a ruptura do conforto
fedra margarida
negra como corvo
no lado escuro da vida
serei sempre seu estorvo

eu sou o teu avesso
as flores do mal-me-quer
o lado mundano da vida
de pagu a baudelaire

fedra margarida
world of the woman
http://fedramargarida.blogspot.com

domingo, 20 de fevereiro de 2011

o elefante é mais decente do que toda esta gente do ocidente tão cristão

césar castro - wermer além da alma


num tempo em que fui de minas juro as minas eram outras.
tenho aqui o papel de seda
a escrita que trago daquele tempo um dia li em cima das montanhas o novo livro de jó
alice nem era nascida
e não era são tomé das letras
foi numa festa de reis em oliveira


eu tenho aqui cartas ainda manuscritas sobre um tempo de lápis canetas esferográficas recortes de papel e palavras que não se completam


lendo drummond sonbre o poema de olga aprendi que olenka é seu diminutivo
gosto de ouvir boleros quando a tarde vai caindo sobre o dia que se vai e noite que se vem
não tenho muita paciência com o que não gosto nem muita complacência para dizer que gosto
detesto a farsa ou a mentira prefiro perder o amigo a não lhe dizer as minhas verdades

o elefante é mais decente do que toda esta gente do ocidente tão cristão

ouvi isso numa canção do belchior não é de hoje mas cai como uma luva nesses tempos de revoluções pelo oriente médio a carta do Michael Moore para estudantes do seu país é um tapa na cara da hipocrisia norte americana

gosto de outros tempos onde o tempo permitia saber do inimigo cara a cara e despejar na sua cara o que quiser que fosse hoje nem sabemos quem é quem onde se esconde o hipócrita que comanda o circo dos horrores

volto ao tempo dos retalhos fragmentos dos tecidos que juras não cabem secretas na linguagem do cinema que procuro nos lhos de mar da menina que ainda mora em bento e mesmo ainda viva diz que morta está

quando a amante turca me deu um tiro no peito na urca o sangue coloriu o mar da praia vermelha mas a sombra que em teu quarto ainda espelha assombra algum pesadelo ela me cuspiu na cara me atirou na lata da calçada do arpoador e foi como miaragem andar de patins no jardim de alá sem mesmo querer olhar o corpo estendido no chão

foi quando pensei maiakovski e o poema da ressurreição

Lyrics to O Amor (Sobre O Poema De Wladimir Maiakovski) :

Talvez quem sabe um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
Eles a ressuscitarão
O Século Trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Por que sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais existam
Amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se
Por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai seja pelo menos o universo
E a mãe seja no mínimo a Terra
A Terra, a Terra
Talvez quem sabe um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
Eles a ressuscitarão
O Século Trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Por que sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais existam
Amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se
Por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai seja pelo menos o universo



não tendo quem me ressuscitasse eis que semi morto ainda escrevo escravo da palavra e da fome de dizer sem mesmo querer saber de vodka suicído ou tédio feramenta que os poetas russos costumavam usar contra a opressão mesmo ainda tendo em mente tudo o que um dia me disse belchior


Como Nossos Pais
Belchior

Como Nossos Pais
Belchior
Composição: Belchior
Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos...

Quero lhe contar
Como eu vivi
E tudo o que
Aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...

Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz...

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...

Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
As aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando...

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...

E hoje eu sei
Eu sei!
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando seus metais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais...

Nanananã! Naninananã!
Nanananã! Naninananã!
Hum!...






que mistérios tem clarice
o rio o mar o corcovado
a rocinha o méier engenho de dentro
que mistério tem o centro
a direita a esquerda
a massa o burguês o proletariado
são paulo goiás pernambuco
ceará tocantins maranhão
que mistério tem eunuco
pra não ser mais garanhão
que mistério tem a lapa
o tapa na cara do povo
que mistério tem o velho
que mistério tem o novo
acari madureira inhaúma
que mistério tem pavuna
pão de açúcar corcovado
que mistério tem a ilha
o planalto de brasilha
pra sarney mais uma vez
ser presidente do senado



?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

jura não secreta



alice
chuta o elefante
com seu pesinho elegante
olha
o verde o vermelho
o azul o amarelo
a multi cor do seu brinquedo
alice
desde que nasceu é música
e letra
do meu novo samba enredo

artur gomes – o pai
http://www.facebook.com/album.php?aid=33072&id=1715210101
http://musadaminhacannon.blogspot.com/

sábado, 5 de fevereiro de 2011

jura secreta 130

césar castro - wermer além da alma
que mistérios tem clarice
o rio o mar o corcovado
a rocinha o méier engenho de dentro
que mistério tem o centro
a direita a esquerda
a massa o burguês o proletariado
são paulo goiás pernambuco
ceará tocantins maranhão
que mistério tem eunuco
pra não ser mais garanhão
que mistério tem a lapa
o tapa na cara do povo
que mistério tem o velho
que mistério tem o novo
acari madureira inhaúma
que mistério tem pavuna
pão de açúcar corcovado
que mistério tem a ilha
o planalto de brasilha
pra sarney mais uma vez
ser presidente do senado

jura secreta 129

a coisa que me habita é pólvora
dinamite em ponto de explosão
o país em que habito é nunca
me verás rendido a normas
ou leis que me impeçam a fala
a rua onde trafego é amplo
atalho pra o submundo
o poço onde mergulho é fundo
vai da pele que me cobre a carne
ao nervo mais íntimo do osso

jura secreta 128

a carne que me cobre é fraca
a língua que me fala é faca
o olho que me olha vaca
alfa me querendo beta
juro que não sou poeta
a ninfa que me ímã
quando arquiteta
o salto da abelha
quando mel em flor
e pulsa pulsa pulsa
a matéria negra cor
quando a pele que veste é nada
éter pluma seda pêlo
quando custa estar em arcozelo
desatar a lã
dos fios do novelo
no sol de amsterdã
desvendar hollanda
e os mistérios da palavra
por entre os cotovelos