domingo, 20 de fevereiro de 2011

o elefante é mais decente do que toda esta gente do ocidente tão cristão

césar castro - wermer além da alma


num tempo em que fui de minas juro as minas eram outras.
tenho aqui o papel de seda
a escrita que trago daquele tempo um dia li em cima das montanhas o novo livro de jó
alice nem era nascida
e não era são tomé das letras
foi numa festa de reis em oliveira


eu tenho aqui cartas ainda manuscritas sobre um tempo de lápis canetas esferográficas recortes de papel e palavras que não se completam


lendo drummond sonbre o poema de olga aprendi que olenka é seu diminutivo
gosto de ouvir boleros quando a tarde vai caindo sobre o dia que se vai e noite que se vem
não tenho muita paciência com o que não gosto nem muita complacência para dizer que gosto
detesto a farsa ou a mentira prefiro perder o amigo a não lhe dizer as minhas verdades

o elefante é mais decente do que toda esta gente do ocidente tão cristão

ouvi isso numa canção do belchior não é de hoje mas cai como uma luva nesses tempos de revoluções pelo oriente médio a carta do Michael Moore para estudantes do seu país é um tapa na cara da hipocrisia norte americana

gosto de outros tempos onde o tempo permitia saber do inimigo cara a cara e despejar na sua cara o que quiser que fosse hoje nem sabemos quem é quem onde se esconde o hipócrita que comanda o circo dos horrores

volto ao tempo dos retalhos fragmentos dos tecidos que juras não cabem secretas na linguagem do cinema que procuro nos lhos de mar da menina que ainda mora em bento e mesmo ainda viva diz que morta está

quando a amante turca me deu um tiro no peito na urca o sangue coloriu o mar da praia vermelha mas a sombra que em teu quarto ainda espelha assombra algum pesadelo ela me cuspiu na cara me atirou na lata da calçada do arpoador e foi como miaragem andar de patins no jardim de alá sem mesmo querer olhar o corpo estendido no chão

foi quando pensei maiakovski e o poema da ressurreição

Lyrics to O Amor (Sobre O Poema De Wladimir Maiakovski) :

Talvez quem sabe um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
Eles a ressuscitarão
O Século Trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Por que sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais existam
Amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se
Por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai seja pelo menos o universo
E a mãe seja no mínimo a Terra
A Terra, a Terra
Talvez quem sabe um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
Eles a ressuscitarão
O Século Trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Por que sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais existam
Amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se
Por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai seja pelo menos o universo



não tendo quem me ressuscitasse eis que semi morto ainda escrevo escravo da palavra e da fome de dizer sem mesmo querer saber de vodka suicído ou tédio feramenta que os poetas russos costumavam usar contra a opressão mesmo ainda tendo em mente tudo o que um dia me disse belchior


Como Nossos Pais
Belchior

Como Nossos Pais
Belchior
Composição: Belchior
Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos...

Quero lhe contar
Como eu vivi
E tudo o que
Aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...

Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz...

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...

Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
As aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando...

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...

E hoje eu sei
Eu sei!
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando seus metais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais...

Nanananã! Naninananã!
Nanananã! Naninananã!
Hum!...






que mistérios tem clarice
o rio o mar o corcovado
a rocinha o méier engenho de dentro
que mistério tem o centro
a direita a esquerda
a massa o burguês o proletariado
são paulo goiás pernambuco
ceará tocantins maranhão
que mistério tem eunuco
pra não ser mais garanhão
que mistério tem a lapa
o tapa na cara do povo
que mistério tem o velho
que mistério tem o novo
acari madureira inhaúma
que mistério tem pavuna
pão de açúcar corcovado
que mistério tem a ilha
o planalto de brasilha
pra sarney mais uma vez
ser presidente do senado



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