quinta-feira, 26 de julho de 2012

alice melo monteiro gomes

alice
falava apitê
agora já fala chupeta
rabisca a página do livro
quando me pede caneta
canta preta pretinha
ouvindo os novos baianos
e ainda não tem 2 anos
imagina quando tiver
será poeta será
quem sabe atriz será que será

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com.br/2012/07/sera-que-sera-que-sera.html
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terra



entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada
de muitos sonhos e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos
por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer & gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro a fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

arturgomes

tecidos sobre a terra



terra
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida


arturgomes
http://valepoetico.blogspot.com.br/2012/07/tecidos-sobre-terra.html

terça-feira, 10 de julho de 2012

o mel que a gente quer


foto; artur gomes

em minha língua o engenho
é o que engendra a fala
linguagem na usina de letras
moagem de palavras
onde o líquido caldo
escorre pela boca a dentro
na engrenagem corporal
dos músculos tesos
pelo sabor da fruta mastigada
descendo pela garganta abaixo
até que o prazer alcance
o seu estado pleno
o ápice do gozo
o êxtase
na engenharia doce
de poder provar do mel que a gente quer

arturgomes
www.artur-gomes.blogspot.com